Quando o coração aprende a dizer não, ele não endurece - amadurece. Porque o “sim” dado por medo não é bondade: é abandono de si. E, por muito tempo, pode-se confundir amor com tolerância infinita, paz com silêncio, compaixão com permissão. Até que chega um dia em que a alma cansa de se trair para manter uma harmonia falsa. Nesse dia, o “não” nasce como um ato de respeito; primeiro por dentro, depois por fora.
Dizer "não" é espiritual quando nasce do discernimento, não do orgulho. É reconhecer que limite não é castigo, mas proteção. É compreender que acolher alguém não significa aceitar qualquer comportamento, e que se afastar, às vezes, é a forma mais honesta de não alimentar o que adoece. É higiene da consciência. O coração passa a escolher com mais lucidez, e a vida começa a ficar mais calma, serena.
E o mais bonito é que esse “não” bem colocado não destrói o amor - ele revela o amor verdadeiro. Porque quem só fica conosco quando nos anulamos, queria apenas acesso. O “não” separa o afeto real do apego, a amizade da conveniência, o cuidado do controle. E, quando o coração aprende a dizer "não", ganha uma paz nova, aquela de quem não negocia a própria luz. Esse coração continua gentil, mas não é mais vulnerável a qualquer pedido. Continua amoroso, mas não se perde para caber em expectativas que não têm sentido.

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