quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A paz que depende de si mesmo


A paz que depende de si mesmo não é indiferença, é maturidade. Nasce quando se percebe que viver em guerra interior para agradar, manter, provar ou controlar é um preço alto demais. É quando a alma entende que não pode terceirizar o próprio centro: nem para outras pessoas, para o amor, para o trabalho ou para as circunstâncias. Porque, se a paz depende de outra ou de outras pessoas, ela se torna refém - e refém não descansa, não tem realmente paz.

A paz consigo mesmo aparece quando a pessoa começa a se escolher, sem egoísmo. Quando aprende a colocar limites sem gritar, a se afastar sem odiar, a dizer “não” sem precisar criar um tribunal na mente. Esse tipo de paz não elimina a sensibilidade, organiza. É como se a consciência se alinhasse: para-se de implorar aprovação e passa-se a buscar coerência. O coração deixa de ser palco e torna-se casa. A culpa diminui, já que a verdade cresce.

Então, algo discreto acontece. Por fora, tudo continua igual, mas por dentro, o cenário é bem diferente. A vida ainda aperta, certos dias ainda doem, mas a paz interna não desaba a cada vento. A pessoa se entristece sem se perder, cansa-se sem se apagar, frustra-se sem se destruir. A paz que depende de si mesmo não é ausência de problemas, é presença de si. É quando a alma, verdadeiramente, aprende a permanecer.


Nenhum comentário:

Postar um comentário