A coragem não costuma nascer pronta. Nasce quando a alma entende que o medo é um mensageiro, não um carcereiro. Medo avisa, protege, tenta impedir deslizes, quedas - mas, quando obedecemos ao medo como se ele fosse dono do destino, ele se torna prisão. Criar coragem, então, não é “não sentir”; é decidir caminhar, apesar do tremor. É olhar para o desafio e dizer, com humildade e firmeza: “isso pode ser vencido, eu vou dar o primeiro passo e depois seguirei dando outros”.
Desafios vencíveis, mesmo quando parecem invencíveis, são convites à expansão. Testam não apenas a nossa força, mas a nossa fé prática: a capacidade de agir com consciência, disciplina e esperança. A coragem cresce quando trocamos o pensamento de catástrofe por um compromisso simples: fazer o que cabe hoje e, a cada dia, mais um pouco. Passos reais, pequenos, possíveis. E, quando o coração se alinha ao bem, ao que é justo, limpo e necessário, parece que a vida coopera: surgem ideias, apoios, sincronicidades, e uma calma discreta vai ocupando o lugar da ansiedade. Não é magia; é direção.
A coragem se consolida quando paramos de esperar “sentirmo-nos prontos” para começar. Começamos, damos passos e, aos poucos, vamos ficando prontos, fortes, aprendendo mais. Se o desafio é vencível, ele não veio para destruir, mas para nos revelar. Respirar, organizar, pedir ajuda, orar como gostarmos de orar, agir. A vitória mais importante não é a que requer uma estrada sem pedras, mas aquela que acende luzes suficientes para caminharmos, passo a passo, mesmo quando a estrada parece escura no início.

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