Passamos a vida tentando nos proteger e, sem perceber, vestimos o ego como uma armadura. Ele promete força, mas cobra caro: deixa-nos reativos, suscetíveis à aprovação, viciados em “ter razão”. O ego inflado, muitas vezes, é só uma autoestima ferida com maquiagem de orgulho. E a alma, por trás, pede algo simples, mas difícil: verdade. Porque a paz não nasce quando vencemos discussões; emerge quando paramos de lutar para parecer e começamos a viver para ser.
A humildade é uma inteligência espiritual, que não diminui ninguém, apenas ajusta a lente. Humildade é reconhecer que somos aprendizes - sempre - e que nossas quedas não são sentenças, são aulas. Quando aceitamos isso, o perdão ganha outra profundidade. Perdoar não é absolver atitudes erradas, nem voltar a conviver sem limites: é retirar o veneno do coração para que o passado não continue governando o presente. É dizer: “eu não vou carregar isso para sempre”, mesmo que a memória permaneça.
E é aí que a transformação começa: no ponto em que paramos de justificar o próprio orgulho e escolhemos o caminho mais alto. Às vezes, a vitória espiritual não é “ganhar” - é recuar por sabedoria, estabelecer limites sem odiar, pedir desculpas com serenidade, se tivermos errado, sem que isso seja humilhação. Ao contrário, é liberdade! É aprender a ser firme e doce ao mesmo tempo. Quando o ego se acalma, sem se anular, a vida fica mais leve, as relações ficam mais limpas, serenas, e a consciência respira. A grande liberdade não é ser aplaudido: é ser coerente por dentro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário