O silêncio não é a ausência de som: é a presença de algo maior. É o lugar onde a alma deixa de performar e começa a existir. No silêncio, caem as máscaras que usamos para parecer fortes. E, quando a gente para de se explicar para o mundo, finalmente consegue se ouvir - não o ego ansioso, mas a voz mais funda, aquela que não grita e não humilha, apenas orienta.
O silêncio funciona como um “campo” de reorganização interior. Nele, os pensamentos se assentam como poeira depois de uma ventania; emoções que estavam comprimidas ganham nome; mágoas aparecem para serem compreendidas, não alimentadas. É como se, por alguns instantes, a mente abrisse espaço para a consciência - e a consciência abrisse espaço para a vida espiritual, para a intuição, para o amparo invisível que sempre esteve ali, mas era abafado pelo ruído.
Uma boa oração é sentar-se por três minutos e não fugir de si. Respirar com mansidão, observar o que passa, e, sem exigir respostas rápidas, permitir que a serenidade faça o trabalho dela. Porque o silêncio não resolve tudo de uma vez - ele realinha. E quando a gente se realinha, as decisões ficam mais simples, a dor fica menos dona, e a vida volta a ter direção. O silêncio, no fim, é um jeito humilde de dizer ao universo e aos bons amigos espirituais: “eu estou aqui; pode me conduzir”.
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